O uso do blog no contexto da escola pública é um grande desafio, grande parte dos alunos não possuem acesso a internet em casa e grande parte das escolas não possuem laboratório de informática com internet de qualidade.
Na tentativa de otimizar o trampo da pesquisa dos meus alunos criei um blog que tinha como única fidelidade organizar links dos sites que continham os temas propostos, pois como a internet é de poesia qualidade as pesquisas demoram muito, Mass mesmo assim a experiência não foi muito exitosa. O tempo de espera para anéis os links foi grande.
Este blog (http://historiamestreataide.blogspot.com/?m=1) não se propôs a construir uma inovação, mas apenas acelerar o tempo de pesquisa dos estudantes. Como a internet na escola é muito ruim não foi possível quite eles fizessem os comentários sobre as postagens on line e por isso optei por organizarmos uma roda de conversa em sala.
Dores na docência
segunda-feira, 4 de junho de 2018
terça-feira, 13 de setembro de 2016
As dores do mundo por Drummond
Mundo grande
Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso frequento os jornais, me exponho
cruamente nas livrarias:preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros,
carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem...sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos-voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam).
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante
exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
que o mundo, o grande mundo está
crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
-ó, vida futura! Nós te criaremos.
Carlos Drummond de Andrade
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